Há pelo menos seis anos eu era apaixonada por aquele homem. Já havia feito de um tudo: me pintei, me produzi, emagreci, fiz de amiga, fiz de safada, fiz promessa, dei comida a Exu, a Oxum e a Iemanjá. Parecia que o homem tinha o corpo fechado, porque viado eu sabia que ele não era. A gente era colega de repartição, e eu já tinha ouvido boatos a respeito dele. A Shirley havia me contado em confidência que ele tinha uma amante que o largou porque, além de ter pau pequeno, ele era um poço de DST. Anos depois eu descobri que era a piranha da Shirley que dava pra ele. Bem feito, a piriguete despeitada deve estar até hoje catando chato.
O caso é que nada que eu fazia dava certo. Ele brincava comigo. Aquelas brincadeirinhas, sabe? Frases de duplo sentido, torpedinhos suspeitos, um interesse deslocado pela minha vida amorosa. Sei lá, eu podia até estar viajando se pensasse que ele me queria, mas tinha um clima além do coleguismo comum. Só sei que eu estava ficando tão enlouquecida pelo homem que resolvi me declarar. Imaginei o cenário perfeito: em um dia em que ele saísse mais tarde, eu iria até a sala dele e derramaria meu coração. Ele tinha acabado de ser promovido a gerente. O serão não iria demorar.
Enquanto esperava pela ocasião propícia, me masturbava pensando nele. Tive três namorados ao longo daqueles anos, e todos, enquanto me comiam, transformavam-se nele aos meus olhos. Cheguei até a namorar com um cara que tinha o mesmo nome que ele, só para poder chamá-lo enquanto gozava. E quanto mais orgasmos eu tinha pensando nele, mais eu queria que o pau dele me fizesse gozar. Eu tinha até desenvolvido uma teoria meio mística a que chamara da lei da energia orgásmica. Eu havia lido em uma daquelas revistas de salão de beleza que o orgasmo gera muita energia cósmica. Desenrolei essa idéia e conclui que, se alguém direciona a energia do orgasmo para um desejo, ele acabará se realizando, já que foi fortalecido pela energia cósmica do orgasmo. Entendeu?
E foi pensando em desejos e orgasmos e energia cósmica que o dia chegou. Os colegas foram saindo, saindo, a baranga da Shirley foi pro buraco dela, a secretária dele também. No nosso andar só estávamos eu e ele. Apertei minha medalhinha de Nossa Senhora do Pérpetuo Socorro e fui até a sala dele. Minhas pernas tremiam, minhas mãos suavam, eu mal conseguia enxergar.
– J..., preciso conversar uma coisa muito importante contigo.
– Ué, F..., você ainda está por ai?
Eu sentei na cadeira diante dele e abri um botão da minha camisa, sem desviar o olhar dele.
– O que você faria se descobrisse que alguém aqui da repartição tá apaixonada por você?
– Demitiria. Ela deve ter algum problema de sanidade mental! – E riu – Tô brincando, mas acho que minha mulher não iria ficar muito feliz, não.
Pois é, esqueci de dizer que ele era casado (há vinte e três anos), com três filhos (Amanda, Renato e Paulo) e sogra morando em casa (dona Inês, que sofria da ciática e fazia um bolo de cenoura maravilhoso). Sim, eu sabia bastante sobre a vida dele. E queria mais que a mulher, a sogra e os três filhos fossem todos para a casa do caralho. Me debrucei por cima da mesa e colei minha boca na dele. Pelo que me pareceu horas, a minha língua pairou sozinha pela boca do homem que, enfim, acanhado, esticou meia língua que encostou na minha. Ai eu me animei, desgrudei da boca dele e dei a volta na mesa. Me abaixei diante dele para pagar o melhor boquete da história da humanidade. Foi quando ele, segurando nos meus ombros, me afastou.
– F..., isso não está certo. Eu sou casado, nós dois somos amigos há tanto tempo. Não tem nada a ver a gente estragar tudo isso.
Eu continuava tentando chegar até o pau dele, e ele segurando os meus ombros. Foram seis anos imaginando aquele cacete na minha mão, na minha boca, dentro de mim. Eu o olhava meio incrédula. Que homem era aquele que recusava um boquete assim, no meio da hora extra?
– Eu quero você, só dessa vez. Me come...
Eu supliquei. Ele passou a mão na minha cabeça, os dedos pelos meus cabelos, e me aproximou da virilha dele, enquanto descia o zíper. O pau estava meio mole e eu resolvi dar-lhe um trato com a mão, enquanto lambia vagarosa, pra ver se o bichinho se animava. Aproveitei para gravar aquele pau na memória, para conhecer o real caralho que, até ali, só vira em sonhos. Era curto e grosso. Quando coloquei o pau dele na boca, ele gemeu alto. Grunhiu. Fez da minha boca uma boceta, levando minha cabeça pra trás e pra frente, segurando forte com as duas mãos. Eu estava a ponto de engasgar quando ele soltou minha cabeça e disse;
– Levanta, que agora eu quero comer tua xana.
Sim, foi essa a expressão que ele usou: xana. Eu achei um pouco ridículo, mas o pau duro dele estava a ponto de me asfixiar, então nem liguei. Eu fiquei de frente pra ele e o beijei. De novo só a metade da língua fazia sua aparição, e ele agarrava meus peitos como se fossem buzinas, me arranhando com as unhas grandes demais.
– Deixa eu ver, tira pra fora.
E eu abaixei o sutiã. Ele ficou olhando e se masturbando. Com a outra mão, apertou os biquinhos com força, um de cada vez, sintonizando um equalizador imaginário. Ele anunciou.
– Tira a calcinha que eu vou meter.
Eu tirei. Mas preocupada, estava nervosa, e as carícias haviam sido tão atrapalhadas, que não me sentia ainda preparada para ser comida. Estava seca. Ele me virou de costas e me deitou sobre a mesa, deixando minha bunda coberta apenas pela saia que eu ainda vestia. Ele levantou minha saia, separou minhas pernas, e tentou colocar o dedo na minha boceta. Demorou um pouco para encontrar a entrada, me machucando com a unha cumprida.
– Não ta molhada, não? Deixa que eu resolvo.
Nem acreditei que aquele homem, por quem eu era apaixonada, iria me chupar. Que bom que eu não acreditei, porque a próxima coisa que senti foi ele levantando mais minha bunda, enquanto cuspia na minha boceta. Que nojo! Mas não tive tempo de dizer nada porque ele colocou a mão na minha boca.
– Você tem cara de quem faz escândalo, mas vai ficar quietinha hoje.
Com a outra mão, ele abria minha boceta. Enfiou o pau de uma vez só. Meu grito saiu abafado pela mão apertada contra a minha boca.
– Ta gostando, né, cachorra?
Quanto mais eu gemia de dor, mais ele achava que estava agradando, e mais forte metia o pau grosso em mim. E repetia sem parar, enquanto me arrombava: “Toma, cachorra.” Eu pensei que ele fosse gozar ali mesmo, mas de repente tirou o pau, e me deixou respirar.
– J... – eu comecei a falar, com a voz fraca.
– Fica quietinha, eu sei o que você quer.
Ele segurou firme pelas laterais da minha bunda, e cuspiu no meu cu.
– J..., por favor, ai não.
– Minha filha, foi você que veio atrás de mim. Não disse que está apaixonada? Então me mostra.
Ele falava e espalhava o cuspe com o dedo. Eu comecei a chorar.
– Olha aqui, piranha, foi você que começou. Agora vai ter que agüentar, e quieta. Ou você quer que todo mundo saiba que você fica se oferecendo por ai?
– Mas você está me machucando. A gente podia deixar isso pra outro dia, em outro lugar.
– Pára de chorar, piranha. Não vai ter outro dia, não. Vou arrombar teu cu agora.
Ele gostava de anunciar o que ia fazer. E fez o que prometeu. Enfiou a rola uma primeira vez, mas entrou só a cabeça. Na segunda vez que ele estocou o pau, eu senti como se meu cu tivesse sido ralado em uma parede de chapisco. Tentei me consolar da dor pensando que aquele era o homem que eu amava. Enquanto isso ele se movimentava pesadamente, tentando abrir caminho por um orifício que até aquela data nunca havia recebido nada além de dedos. Ele arfava atrás de mim, e eu chorava baixinho. “Toma, cachorra.” Ele grunhia sem parar.
A dor era tanta que mal quando ele encheu meu cu de porra. Foram os urros de “cachorra” que me indicaram o fim do meu suplício. Meu rosto estava molhado de lágrimas, o dele de suor. Meu cu gotejava agora, quando ele tirou o pau que amolecia de dentro de mim. Ele enfiou o dedo no meu cu, tirou e disse:
– Tá no cio, cachorra? Tá sangrando que nem uma cadela no cio. Agora vai se limpar e depois volta aqui.
Eu fui, sonâmbula, as pernas bambas, me lavar na pia do banheiro das mulheres. Não consegui nem me olhar no espelho. Quando voltei ele estava rodando a minha calcinha no dedo.
– A gente vai deixar tudo como tá, e se você foi boazinha, posso até te comer de novo.
Ele cheirou minha calcinha e a jogou de volta pra mim. Enquanto a vestia, ali, na frente dele, pensava quando seria o próximo serão. Afinal, ele era o homem da minha vida.
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